domingo, 31 de julho de 2011

música dos ratos no telhado

Ver árvores à noite me lembra o lugar que estive algumas vezes/
não há volta para lá, apenas ida/
nem lugar há, é estado


meu descontrole cresce/
não é meu, é em mim/
sou consumida
no fígado que trituro para o cachorro/
no cigarro que desenha a névoa
e enrouquece

sou tragada por tudo que sei
e rejeito/
pelo que não sei
e não busco

se do encontro com a sombra de dia
sobrevivo
apenas assim me arrasto
olhando gatos, coisas
às vezes olhando de noite as árvores

quinta-feira, 19 de maio de 2011

funcionário

as mãos
dão porque sempre podem livrar-se
das tranças
das tintas
do chão
do volante

por isso
 
quando as sombras da terra mentem a dor pesando seus braços
abrace forte
e atento
todo pequeno começo como um gigante

teça fios de ouro em cada gesto desacreditado
limpe as teias do medo, espirre o tédio

há no mundo um vácuo
há no corpo um sopro
há aí um motivo
e há sobretudo, revolucionária
dança *

força que renova a força
que remova e mude
que mova

as mãos
livres no amor


                                                                                                                           com licença poética

sexta-feira, 29 de abril de 2011

en ton ações



Há que se aprender muito
dos nossos tons
conversando intenções


surdos


Não ousamos estudar a canção da fala
Dentro de nós e no Mundo


a nuance afetiva
a vontade escondida 
cada escolha imprecisa


doemos


Por tantos anos malensinados


erramos

domingo, 24 de abril de 2011

Sathya Sai


O homem sobre a Terra 
sempre vai
de novo a humus, encontrar o tempo
desconhecido

e a terra fértil transforma o corpo
novo em velho
em pó

o que se vai que não se vê?

a amplitude do maior momento
dá-nos a chave
para passar

segunda-feira, 11 de abril de 2011

4 anos em Cartas

Cartas é uma vontade antiga.
Finalmente fiz.




As cartas de papel moram com seus destinatários, consegui listar algumas das que foram se acumulando, ao longo dos últimos 4 anos, na caixa "enviados".

Cartas


                                                                                                                      a poesia mais viva, que jorra


antes do suco
abraço forte seu corpo em cada fruta
no peito, sorriso e lágrima


em cada colherada como toda a fé que conheço,
peço as bençãos, agradeço
aprendi tanto das suas mandíbulas incansáveis


corro, corro, algumas vezes corro o mais rápido possível
quando meu corpo não entende a falta
e arde


as ervas que sabem, santas, a coragem que preciso,
dançam comigo - me animam
no aroma, amorosas me contam
que você está aqui
sempre a dançar conosco


as 5 horas de manhã todo o escuro quer explodir a treva em luz
entre o céu e o mar eu rezo
peço perdão por não conseguir libertar o amor
que pede passagem
quer me elevar ao berço humano
solar dourado
amoroso e Pai


Nosso Pai silencioso em seu Mistério, vivo em toda parte, me mostra
tudo o que não perco por não estar aí
que não te perco e nem a nada, nunca


me ajuda a ver, alma na minha alma!
que toda essa força criada em nós
permanece e nos une
e que a ajuda que recebes aí vem a mim
que procuro a luz em toda parte


trançada à noite e à blusa
adormeço o corpo me acolhendo
repetindo o infinito canto amoroso
da Fé

Cartas



Já lembrei, antes de dormir.
Será que a Astrologia é tão determinante assim?
Se for, é seu ascendente que te frita.

Você é raro, eu sei. 
Mas eu confesso que acredito que esse lugar faz estragos no potencial humano.
Verdade que estou seca, é resultado. Do meu dia, e de não saber se você sequer lê o que eu escrevo.
Mas há um amor que transborda, aqui dentro trago Lírios e Lótus pra te dar.

Que nos acordem, sempre, as flores, para a música misteriosa da Vida.

O meu desejo é que por um pouquinho, todos os dias, você visite e vivencie sua representação de Deus. 
Ela se transforma e nos transforma. É uma pesquisa infinita, mas sem algum foco se perde. 
Da solidão e desse contato, um pouquinho que seja, o amor puro cresce.
Não é que você não saiba ou faça, mas é o meu desejo. Com flores. 

Um abraço e um beijo, com potência 28.