segunda-feira, 11 de abril de 2011

Cartas

                                                                                                                               sobre defeitos e qualidades

As palavras desafio e potencial manifesto/não manifesto conseguem traduzir mais minha compreensão sobre isso.
Isso porque somos luz (consciência do todo, auto-consciência) adentrando um sistema duro e multiforme, separado em níveis, e o caminho é dissolver a resistência natural da natureza da matéria que nos envolve em filtros, em labirintos. É como se fosse um trabalho de retirar a casca, e não de desenvolver a luz. É importante essa imagem porque ela transforma a representação e chega bem mais perto do que compreendo. Na vida
da Terra, limitados pelo espaço-tempo, temos um monte de áreas desenvolvidas dentro de nós que não necessariamente são olhadas para exercício, são exigidas por fatos ou situações para se concretizarem, para manifestação no mundo. Por isso o potencial pode estar implodindo a semente para germinar, o que configuraria o potencial não-manifesto, no desafio a semente estaria encoberta e sedimentada e no potencial
manifesto ela estaria dando flores para semear pessoas e frutos para alimento.
Duas grandes matrizes de força surgiram interessantes com alguns detalhes. A primeira é a nossa geometria, nossa codificação e organização em progressiva densificação e formatos, seguindo a imagem de uma luz que tem uma série de caminhos geométricos e específicos, progressivamente diferenciados, gerando áreas diferentes no ser, corpos de informação (uma palavra limitada poderia ser "genética") em níveis densos e energéticos, e nessa matriz a ordem configurada pela influência dos astros, a precisão da sua contextualização no espaço-tempo do mundo enquanto personalidade.
Entrar na parte de reencarnação ou nascimento da consciência traria muita coisa à tona, prefiro deixar isso sob atenção junto com os outros níveis sem aprofundar muito especificamente.

A segunda matriz, desde a gestação do feto, passando por toda a contextualização na família, geração, condições... A relação a ser estabelecida é a unidade do sistema de tudo o que já é nosso e que configura nossos desafios e potencialidades por si só.
O detalhe importante é inverter ou retirar a relação de tempo causa-efeito, quando percebemos que já precisamos entrar em contato com determinados contextos dentro desse sistema consciente de iluminação. Então o processo do nascimento, infância, adolescência; as situações que vivenciamos são catalizadores para irmos buscar nossas sementes e germinarmos e irmos cavando para achar mais. Quando os desafios são muito complexos, intrincadas teias de intensos processos psicológicos entre pais, irmãos, vida material (riqueza, pobreza, mudanças de espaço físico) o ser em crescimento se vê o tempo todo exigido a buscar capacidades para lidar, entender, participar, interagir com esse nível de exigência. E a ponta de um fato que podemos chamar de traumático pode se manifestar como uma tensão condicionada que desagua
numa ansiedade muito forte, e por outra ponta, uma capacidade enorme de enxergar as necessidades do outro, de conseguir se colocar no seu lugar. Esse é um exemplo simples pra ilustrar esse detalhe que configura os eventos muitas vezes como regadores de algumas sementes e encoberta-dores de outras. Há uma balança holográfica e toda ligada em seus pratos e pesos, nada está separado.


Na prática, todo o processo da formação da minha personalidade passou por esses intrincados níveis de exigência material (emocional, intelectual, intuitiva, física, inter e intrapessoal...).
A relação de trauma de nascimento gerou uma constante força de atenção e autoconsciência, um estranhamento e renovamento do olhar para tudo, tendendo sempre à sede de buscar sentido profundo ao redor, desmascarar sob qualquer preço a conveniência e conforto. Gerou também uma insegurança profunda de estar no mundo material, na Terra, uma sensação de não ter direito de estar aqui, de não ser merecedora da vida. Diferente de uma carência de pessoas e mais profundo que isso, há uma carência da vida na Terra por si mesma.
Desenraizamento e dificuldade de lidar com a parte de sobrevivência, organização, relação de trabalho, etc entram aí nesse medo de ter "encarnado".


Espero que tenha servido pra algo.
Até as 10 consegui até aqui, não sei se adianta te mandar mais depois.
Beijo.

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