segunda-feira, 11 de abril de 2011

Cartas

                                                                                                                                                        à Sophia

anunciando manhãs sem sol
aqui,
quando melhor o cinza está prata
quando encanta é pelo artifício

o vento que sopra porquês da vida nas árvores
aqui assolapa paredes e becos
canta, enquadrado, por liberdade

encinzesse entristecendo, pano seco cobrindo céu opaco

e repetir a cor
do céu estanque

do suspiro abstinente
da coragem
da saudade
é pra chamar cachoeira pra perto
e pra que esse quadro firme,
nosso,
pinte amor e criação cobrindo o caos

se essas ruas deixassem o silêncio me ajudar
se o vento soprasse um pouco só com som de ser
ah, que saudade das matas
cachoeira me contando porque que a vida é
violam-se os motivos, as vontades, as verdades
gritam, choram,
a sede é de outra água
e o riso desesperado
está alto pra estancar a solidão

Nenhum comentário: