segunda-feira, 11 de abril de 2011

Cartas

                                                                                                                                                          vou

por entre e dentro, em todas as nossas vias de encontro e perda -
estou conosco em mim
e nos caminhos das suas palavras, sem mais direção

olhando ela, a menina, está viva suspensa no breu de uma caixa, tateando réstia ou outra da sua presença, porque as lembranças são escuras - a bárbara não consegue confiar no passado, em ser amada pelo que foi, teme ter ficado lá, onde não pode mais ser, não existe mais

renova o sol, a lua, a sede de amor com sede, sede

sede insaciável

eu quero dormir dentro da sua confusão, respirando a paz de não sermos de nada que está posto, de termos a morte ao lado, de carregarmos o mistério nos olhos e no coração
e passeando junto pelos caminhos
acordarmos crentes de inspiração

a voz clareia a confusão! minha boca meus ouvidos são seus
há um amor completo e forte a postos para qualquer coisa entre tudo e nada, ou mesmo além
sempre

que esse medo do nosso nada não tome forma como efeito do que sinto, criação a partir de ser fraca

me responsabilizar por ter criado a nossa distancia é uma angústia, força de morte sem pontas

não a quero

eu guardo você numa caixa de esperança profunda e quente

coloco ervas secas dentro
algumas pedras
palavras, versos desencorajados

e o seu presente
com gratidão

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